Vem cá, menina!

by - 3.7.17





Vem cá, menina. Tem algo meio cinza nesse seu jeito de olhar. Já conheço esse milésimo de segundo do piscar das suas pálpebras, nem adianta disfarçar. Não pra mim, tá? Vem cá, menina. Me deixa ajudar a faxinar aí dentro. Vamos varrer os dias, os poréns e o porão desse coração cansado de se camuflar. Deixa esse sorriso aberto pro amor entrar. Sim, ele mesmo: O próprio.

Deixa a cabeça erguida pra olhar pra frente e não mais pras despedidas. Elas são diárias e inevitáveis, sabia? Agora a tua lágrima, minha menina, esta podemos evitar. Você pode e deve chorar, transbordar tudo que tá aí te sufocando... Isso não é jamais um sinônimo de fraqueza. Mas não umedeça seu rosto por quem talvez nem mereça. E vem cá, menina, me diz quem merece essas gotículas que escorrem facilmente de teus belos olhos? Provavelmente ninguém.

Ah, menina. Vamos continuar a caminhada porque essa vida é tão apressada e não nos espera. Nem sempre ela é gentil como você. Às vezes ela nos faz esbarrar com algumas dores no caminho que não estávamos preparados pra lidar – ou pelo menos achávamos que não. E noutras vezes em desamores que nem queríamos encontrar. Mas vamos em frente, menina. Veste essa sua paz e corre pelas avenidas. Você é linda. Sabe por quê? Porque você é livre. E você pode ser o que quiser, não só o que dizem que és. Menina, a tristeza sempre há de existir, mas ela pode ser mínima.

Seja serena contigo, seja mais gentil com suas fraquezas. Já tem uma tempestade de acusação
lá fora. Seja branda enquanto o caos perdura. Seja doce enquanto a amargura insiste em ficar.
Sabe, menina? Esse é um jeito leve de se amar.  Então, que se ame!

É bom andar de mãos dadas, vagarosamente, olhando os jardins e as casas coloridas. É bom dividir cada passo com alguém, ouvir os pássaros e esquecer o trânsito. É, eu te entendo. Mas você precisa aprender a traçar seu próprio caminho de volta pra casa. E lembre-se: a sua casa é aonde couber sua imensidão. O seu lar é onde você deseja estar, menina. Não regue mais as maçãs do seu rosto com lágrimas, é tempo de colheita do lado de dentro.

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Suélen Emerick

25 anos. Brasiliense que vê poesia no cinza do concreto. Jornalista que escreve por/com amor. Uso vírgulas e crases imaginárias pra contar histórias, e o coração pra vivê-las.



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