Uma lua cheia de saudades

by - 25.6.17


Achei um rascunho no meu e-mail, lá de 2014. Era pra você. Nele eu colocava um monte de sentimentos e o maior deles era o de felicidade. Felicidade por aquilo que estávamos vivendo. Sem pressa, era o nosso momento. Era o nosso 'teamo' e a minha esperança de um futuro pra nós. 

Eu tô da janela do quarto vendo essa lua cheia linda e lembrando da gente. 

Já faz muito tempo desde a nossa última vez. Não, não é de sexo que eu tô falando. É da última vez que a gente foi alguma coisa. Do último beijo, do último abraço e da última demonstração de carinho. A última conversa foi breve e depois disso conseguimos a proeza de não trocar uma frase em quatro dias de viagem.

Em algum momento a gente se perdeu e nem essa lua gigante tá conseguindo me indicar o caminho de volta. Concluo que fui um péssimo escoteiro, mas quando o assunto é você, ainda me falta disciplina, e orientação definitivamente não é o meu forte. 

Lembro até hoje da sua teimosia e os diálogos eram sempre os mesmos:

- Se agasalha, menina. 
- Mas nem tá frio - e revirava aqueles olhos gigantes castanhos. 

Eu sempre levava uma blusa extra, porque não demorava muito você tava batendo os dentes de frio. Desconfio que fazia de propósito. Foi assim que você ficou com meu moletom preferido naquela volta da praia em outra noite de lua cheia. Tá vendo? Ela sempre regeu nossa história e é impossível não lembrar de você. Hoje eu sei e isso é uma droga.

Droga é desejar alguém e não poder ter. É caminhar nessa linha tênue entre desejo e distância e o peito cheio de saudades chega a afogar o coração. 

Eu me esforcei pra caralho pra extinguir o abismo que se formou entre a gente, mas infelizmente sozinho eu não consegui. Eu me importava tanto contigo, menina, e só queria o teu bem. Bem perto de mim. 

Na real, eu não aguentava mais essa dúvida de dar um passo na sua direção e você dar dois passos pra trás. Não sabia se era um refugo ou se você estava tomando impulso pra correr pros meus braços e eu poder te abraçar firme.

São tantos verbos no passado, que fica difícil de olhar pro futuro e enxergar a gente. 

Prometo que esse vai ser o último texto que te escrevo, mas tenho quase certeza que essa é mais uma das promessas que eu vou quebrar. Igual aquelas que a gente faz no ano novo. Ou da vez que eu jurei não te amar. 

Boa noite, dona encrenca. Dorme com Deus, bom descanso e bons sonhos. Amo você. 

Viu? Mais uma promessa vã em uma noite de lua cheia. Cheia de saudades. 

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