Quando o amor acaba

by - 24.5.17



Estar apaixonado é como ter 15 anos, convenhamos. Dar passos brutos sem eco, afinal, estamos andando nas nuvens. E quando as nuvens voltam pro seu lugar de origem, vão lá pro alto do céu e nos deixam aqui, pisando no concreto do chão, sem nada que possa amparar uma possível queda?

Nós sabemos quando o amor acaba. Nós sentimos. Basta um tratar indiferente. Uma fotografia sem cor. Uma gargalhada sem som. Um beijo sem gosto. Um sexo sem prazer. Uma necessidade sem obrigação. Uma discussão; Uma briga; Uma incerteza. De repente as mãos estão geladas, a convivência sem harmonia. A rotina sem motivo. 

Quando o amor acaba os olhares passam despercebidos, os abraços são frouxos, os sorrisos são vazios, a pele estranha. A conversa é forçada, a intimidade interrompida. É relembrar sem forçar a memória de lembranças discutidas em almoços de família. É juntar um passado empoeirado numa caixa, limpar as gavetas e não ter nada mais palpável. Até que ponto a gente deixa de conhecer alguém quando não sentimos mais amor?  (Des)conhecidos... 

Quando o amor acaba a gente se interessa pelo desinteressante. As tentativas de tentar recuperar o que já se foi, são em vão. Não adianta adocicar o que já está amargo. A gente precisa parar com a mania de achar que o "era uma vez" são sempre acompanhados de um "felizes para sempre". Não. Nem sempre. Infelizmente, às vezes, nem um bom começo tem.  

Quando o amor acaba nem trancafiados em meio metro quadrado, seria possível sentir calor. A gente não entende, não aceita. O desespero toma conta e nos tornamos reféns de uma busca por ajudas de todos os tipos. Desde as 5 dicas milagrosas de como melhorar um relacionamento a aprender pompoarismo. É frustrante gritar um pedido de socorro dentro de nós mesmos. 

Quando o amor acaba, palavras que estavam no baú são severamente pronunciadas. Em ambos, os olhos estão pesados e os corações cansados. No calendário da cozinha já não existe mais futuro, apenas passado. O monstro do armário acorda e repete, insistentemente, que o mal-estar é mútuo. Que aquele cheiro impregnado no apartamento é só a infelicidade fazendo jus à infinitude do sentimento.  

Quando o amor acaba, o mundo desmorona. A gente se desespera. A vida segue imperfeita. Honestamente, tudo se dissolve. Mas é preciso mudar, reagir, encarar, superar. Entender que amores acabam sim e não há nenhuma poesia nisso. O que não for recíproco, não vale a pena manter. 

O para sempre acaba o tempo todo e recomeça sempre. De novo. De novo. De novo e mais uma vez. Então é isso. Fim. 

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Ana da Mata
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto.

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