Amor de entrelinhas

by - 26.5.17

Na real mesmo, nossa história aconteceu no Instagram, mais precisamente nos stories. Depois o direct. E eu vi que tava ferrado mesmo quando subiam as notificações no Facebook com as marcações. Tudo fazia sentido! Das matérias mais ridículas do buzzfeed, até as que envolviam um lado obscuro do seu bom gosto musical.

Algum estudo por aí disse que você consegue premeditar um relacionamento pela interação do casal nas redes sociais nos últimos tempos. De acordo com os meus cálculos, mesmo eu sendo de humanas, acho que entramos para as estatísticas. 

Nosso amor aconteceu nas entrelinhas. Nas provocações, nas frases de duplo sentido e no beijo adiado.

(Pausa para o momento nostalgia)

Lembrei da adolescência, lá pros 11~13 anos, quando rolava aquele-beijo-meia-lua-maroto, por puro "acidente", sabe? Aquele que deixava um gostinho de quero mais na boca. Daí era só esperar os amigos - de ambos - botarem pilha e mobilizarem uma estratégia bélica pra gente ficar na saída da aula.

(voltamos com nossa programação normal) 

E de meia em meia lua, já deve ter uma meia dúzia delas inteiras, até que a lua cheia finalmente saiu.

Das entrelinhas, passamos para as entre linhas. Você num canto e eu no outro. Entre nós, uma caralhada de estações e conexões, mas o encontro, esse era sempre no mesmo lugar. 

No colorido das linhas do trem e metrô,  eu via a ansiedade dilatando minhas pupilas, torcendo pra chegar lá primeiro que ela e a receber com o melhor abraço que eu podia oferecer. Algumas vezes com uma rosa na mão, que eu comprava do menino que vendia na porta da estação. Não era dia dos namorados, nem nosso aniversário ou o dela, mas cada vez que a gente se encontrava naquela catraca era um dia especial. 

Na catraca, enquanto te esperava, eu via tanta gente apressada, passando pra lá e pra cá e perdendo os detalhes de uma cidade cheia de magia e contraste. Uma pena. Assim como o poeta que pena quando cai o pano e o pano cai... 

Juro que não é exagero (disse o poeta especialista em hipérboles), mas o relógio corria em câmera lenta enquanto não sabia aquelas escadas, com direito até a trilha sonora feita pela bandinha de jazz que tocava Amy Winehouse lá do lado de fora.

Talvez até seja um pouquinho de exagero, já que nem relógio eu uso, mas isso é um mero detalhe. 

E nessas idas e vindas pelas catracas da vida, teve um momento que eu estava quase te esquecendo, menina. É sério, quase. Faltava só um pouquinho! Era um quase bem grande pra dar tempo de mudar de ideia, como a distância de ida e volta daqui pro Japão, mas a saudade pegou um trem-bala e me levou rapidinho pra 'nossa' estação. 

Agora vem logo, ainda tem muita coisa pra rolar. Nas entrelinhas e entre linhas. Tô te esperando na catraca e doido pra matar essa saudade entre lençóis. 

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